A partir do dia 31 de outubro, líderes mundiais, governos, sociedade civil, setor privado e cientistas se reúnem em Glasgow, na Escócia, para a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – a COP26. Na presidência da COP26, o Governo Britânico anunciou os seus quatro principais objetivos em torno das negociações. Os principais aspectos estão relacionados a carvão, carros, capital e florestas:

  • Eliminar a energia a carvão: países desenvolvidos até 2030, países em desenvolvimento até 2040, investindo em energias limpas. O Reino Unido se comprometeu a deixar o carvão no passado até 2024.

  • Acelerar a transição para carros elétricos e abandonar os veículos poluentes pelo menos até 2035. O Reino Unido decidiu acabar com a venda de carros poluentes até 2030.

  • Países desenvolvidos precisam mobilizar US$100 bilhões por ano em capital para finanças climáticas. O Reino Unido já se comprometeu com mais de 11 bilhões de libras por meio do Financiamento International sobre o clima (ICF) para os próximos 5 anos. Acordos globais também precisam garantir trilhões em finanças privadas.

  • Para florestas, é preciso zerar o desmatamento até 2030. O Reino Unido está comprometido a triplicar as taxas de plantio de arvores até o final deste mandato parlamentar, em maio de 2024.

O objetivo global de todas as medidas discutidas na COP26 é o compromisso firmado pelos países no Acordo de Paris, há seis anos, de limitar a 1.5°C o avanço das médias globais de temperatura, se comparadas aos níveis da era pré-industrial. As últimas evidências científicas apontam que qualquer aumento acima deste número pode ser catastrófico.

“Este é um dever dos líderes mundiais. O sucesso ou o fracasso da COP26 está em nossas mãos, assim com o destino do Acordo de Paris. Porque, desde que ele foi assinado, não foi feito o suficiente. As emissões continuaram aumentando, o IPCC acendeu o alerta vermelho para o clima”, afirma o ministro britânico Alok Sharma, que presidirá a Conferência. Ele exemplifica, ainda, os impactos do aumento das temperaturas para populações humanas e na biosfera.

“Até 1.5°, 700 milhões de pessoas vão correr o risco das ondas de calor extremas. A 2°, seriam 2 bilhões de pessoas. Até 1.5°, 70% dos recifes de coral vão morrer. A 2° eles vão desaparecer por completo”, explica. Há avanços, mas mais ambição ainda é necessária

O Governo Britânico também ressaltou alguns aspectos positivos durante os preparativos para a conferência. Quando o Reino Unido assumiu a presidência da COP, menos de 30% da economia global estava comprometida com a meta de zerar emissões (net zero). Agora, este número chega a 75% e está aumentando.

Um exemplo desta mobilização é a campanha Race to Zero, liderada pelos representantes da ONU para clima, o britânico Nigel Topping e o chileno Gonzalo Muñoz. A campanha já conta com mais de 2300 empresas, 700 cidades, 160 investidores, 600 instituições educacionais e 20 regiões, com compromissos de reduzir as emissões em 50% até 2030 e alcançar emissões líquidas zero o quanto antes, e no máximo até 2050.

No Brasil, são mais de 100 empresas, 12 cidades, 5 estados com compromissos de zerar suas emissões. Somados os esforços de outros três estados que anunciaram que se comprometerão, são cerca de 50% de todas as emissões no Brasil e 50% da economia.

O ponto crucial das negociações na conferência é mobilizar uma ambição cada vez maior. “Se os compromissos do Acordo de Paris forem cumpridos, a curva de temperatura pode ser achatada até o patamar de 2 graus. Para conseguir alcançar os 1.5, precisamos ir ainda mais longe. Por isso, os resultados das negociações em Glasgow precisam inaugurar uma década de ambição progressiva. Precisamos de um sistema que acelere o progresso, reconhecendo que a ação de todos países é necessária, mas aqueles com maiores responsabilidades precisam sempre fazer mais.”, afirma o Embaixador Britânico no Brasil, Peter Wilson. “Nosso mote é que Paris prometeu e Glasgow precisa entregar”, enfatiza.

Detalhes da programação da COP26

A Conferência dura duas semanas. O primeiro grande momento é a Cúpula de Líderes mundiais. Mais de 120 nomes já estão confirmados. Nesta ocasião, os países terão a oportunidade de mostrar como estão fortalecendo seus compromissos, detalhar sua implementação e dar um direcionamento para o trabalho dos negociadores.

Em paralelo às negociações formais, acontecerão discussões temáticas diárias, incluindo financiamento, energia, empoderamento público e da juventude, natureza, adaptação, gênero, inovação, transporte e questões urbanas. As negociações devem ser encerradas entre sexta (12) e sábado (13). Confira o passo a passo detalhado das datas em anexo, em especial na página 4.

Programa – COP-26 – PT-BR (PDF, 1.7MB, 23 pages)

CONTATO PARA A IMPRENSA:

Diêgo Lobo

diego.lobo@fcdo.gov.uk

    Contributed By

    Revision History:

    By Editor

    Leave a Reply

    “Paris prometeu. Agora, Glasgow precisa entregar”: o que está em jogo na COP-26?

    by Editor time to read: 3 min
    0